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Monthly Archives: outubro 2008

Um dos filmes mais impactantes que já assisti. Reflexões sobre amor, sexo, traição, cumplicidade, erros, força, dor, trauma, tudo isto passado nos tempos do nazismo, numa perspectiva nova, que retrata do que o ser humano é capaz, sua dualidade, sua sensibilidade. 

A ausência da despedida nos confronta com a inexorável solidão do ser.

Um daqueles filmes que nos transformam.

A vida como uma sucessão de tentativas de conquistarmos aquilo que queremos.

A cada década, ano, mês, semana, dia, hora, minuto. A cada instante meu corpo e alma desejam, e o desejo move minhas atitudes em seu sentido. Posso desejar não desejar, desejar sentar-me em estado meditativo por três horas silenciosas sentindo minha respiração e nada mais, e posso realizar este desejo, ou não.

Desejamos estar vivos, ou mortos, uns lutam ardorosamente pela vida apesar de todas as chances contra, em situações de guerra ou doença fatal, outros, lutam pela morte através de sucessivas tentativas de suicídio. O desejo da vida ou da morte mobiliza a potência humana.

Mas desejo é necessidade? Ou necessidade é algo maior, algo filogenético? O louco que diz amar mais ao outro do que a si mesmo e que em nome deste amor assassina e extermina o objeto de seu amor tem necessidade de quê?  Que louca cultura produz em seu bojo esta socialização egoística e egóica?

Tentativas mau sucedidas de realização do que planejamos são tentativas mau sucedidas, e se seguirão por outras, mau ou bem sucedidas por sua vez, mas existe algo dentro de cada um, como aquela tocha acesa nas olimpíadas, que permanece (ou deveria) acesa em chuva ou vento, não importa.

Eu e outro (coisa ou ser) – há uma diferença entre o eu e o outro e acho que é por aí que encontramos a constância. O outro pode estar ou não, mas o eu sempre está presente em nós.

Lidar com frustrações pode nos fazer contorcermos como crianças mimadas esperando o poder dos pais em mudar a realidade sempre a nosso bel prazer ou podemos deixar passar as situações de revés como passa um rio.

No Brasil da violência há coisas que podem nos acontecer e nunca mais nos deixarão ser iguais em serenidade, a perda de um ente querido por sequetro, assassinato, violência, …, o homem é o predador natural do homem, o homem é o único animal que tortura por prazer, e então o mundo em que vivemos não deixa de ser perigoso, não andar em certos lugares, não sair de casa em certos horários, rezar constantemente para que os filhos voltem para casa em segurança, esta é a nossa realidade.

Mudar este quadro é possível? quando o desejo de um não estiver acima da vida do outro, quando a corrupção cessar em prol da vida, talvez possamos viver mais e melhor.

Está fazendo sucesso o filme Ensaio sobre a Cegueira. Eu não vi o filme, não li o livro mas conheço a história. Às vezes sinto que nós estamos vivendo um pouco (ou muito) como aquela comunidade de homens-bestas-feras, em que a invisibilidade do ser permite a todos o inaceitável. Antes de ontem vi no Jornal da TV: promotor defende acusado de matar inocente enquanto fazia segurança de filho de promotora. Para esclarecer: promotor é acusação mas neste caso se juntou ao defensor e defendeu o acusado. quem defendeu a vítima? Oras, ela já havia sido assassinada mesmo, expulsaram a mãe no tribunal quando ela em desespero daquelas que a gente sente quando sofre injustiça, levantou a voz para não deixar sujarem a honra de seu filho que morreu na danceteria quando saiu para se divertir com os amigos, por infortúnio, havia um filho de promotora ali com uma escolta pronta para matar qualquer um. Ainda existe democracia ou eu serei processada por este post como nos anos 60 em que as pessoas eram caladas a força e a ferro?

http://oglobo.globo.com/opiniao/mat/2008/10/08/caso_daniel_duque_justica_mambembe-548615514.asp

http://www.midiamax.com/view.php?mat_id=345459

Sutilezas da alma, sutilezas das relações humanas.

Fazer barganha não é legal. Estar com alguém é estar com alguém. Ponto. Não tem a ver com o que se pode oferecer em troca de algo. Tem a ver com desfrutar da companhia, da leveza, da sintonia. Aliás, não ofereça nada, assim, tudo o que fica é o estar com. Isso é estar com e estar com é algo tão gostoso que tudo o mais em termos de barganhas e cobranças atrapalha, tira a leveza.

Não falo do estar com dos adolescentes mas sim do estar com existencial, com durabilidade, coerência, consistência.

Para alcançarmos este estado, é preciso fazer um laboratório consigo mesmo, é preciso saber estar conosco mesmos, com leveza, respeito, amor, daí fica fácil relacionar-se desta forma com o outro também.